Contents
- O que é o Dia da Amazônia e por que ele é celebrado em 5 de setembro?
- Quais são os principais desafios ambientais da Amazônia nos dias atuais?
- Por que a Amazônia é um tema central na agenda ESG das empresas brasileiras?
- Como o desmatamento e o uso da terra na Amazônia afetam o risco de negócio e a cadeia de fornecimento?
- O que normas como GRI e IFRS S2 exigem sobre biodiversidade e uso da terra?
- Como as empresas podem mensurar e reportar seu impacto e dependência da Amazônia
- Perguntas frequentes
Celebrado oficialmente em 5 de setembro, o Dia da Amazônia foi instituído pela Lei nº 11.621/2007 para conscientizar a sociedade sobre a conservação do maior bioma tropical do planeta. No entanto, sob a perspectiva das diretrizes de governança ambiental, social e corporativa (ESG), a data vai muito além da conscientização institucional ou do engajamento de marca: ela marca um ponto focal anual para a avaliação de riscos operacionais, regulatórios, climáticos e reputacionais no setor privado.
Para grandes corporações, instituições financeiras e empresas com cadeias de suprimentos complexas, a Amazônia deixou de ser uma pauta puramente conservacionista e passou a integrar o núcleo da gestão de riscos corporativos e da estratégia de negócios. Com a crescente pressão de investidores internacionais, a consolidação de normas globais de divulgação de sustentabilidade (como IFRS S2 e GRI) e o avanço de regulamentações contra o desmatamento, compreender a relação entre as operações empresariais e a preservação do bioma tornou-se um imperativo comercial.
A seguir, destacamos como o Dia da Amazônia, mais do que uma data de conscientização, reforça a importância de transformar compromissos ambientais em ações concretas, aprimorar práticas empresariais e acelerar a sustentabilidade, contribuindo para um futuro mais sustentável e resiliente para todos.
O que é o Dia da Amazônia e por que ele é celebrado em 5 de setembro?
O Dia da Amazônia rende homenagem à criação da Província do Amazonas, decretada por D. Pedro II em 5 de setembro de 1850. Historicamente associada a eventos educativos e manifestações socioambientais, a data ganhou novos contornos nas últimas décadas devido ao papel central do bioma na estabilidade do sistema climático global e à aceleração das mudanças climáticas.
A Amazônia brasileira abrange nove estados e ocupa cerca de 60% do território nacional. A região abriga aproximadamente 10% da biodiversidade do planeta, além de concentrar a maior bacia hidrográfica da Terra e armazenar mais de 100 bilhões de toneladas de carbono em sua biomassa e solo. A floresta atua como um regulador térmico e hídrico fundamental para a América do Sul, gerando os chamados “rios voadores” — massas de ar carregadas de vapor de água que irrigam o Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil, viabilizando setores estratégicos como a agricultura, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento público.
Para o mercado corporativo, o Dia da Amazônia representa um momento crítico de prestação de contas e reavaliação de compromissos Net Zero e de desmatamento zero. À medida que os impactos das alterações climáticas se intensificam, a resiliência do bioma torna-se diretamente proporcional à estabilidade dos negócios no país e às metas globais de descarbonização.
Quais são os principais desafios ambientais da Amazônia nos dias atuais?
A gestão de riscos na região exige que as empresas monitorem e compreendam os fatores estruturais de degradação ambiental e social. Os três desafios a seguir estão diretamente interligados e afetam múltiplos ecossistemas e setores econômicos:
- Desmatamento e conversão de uso do solo
- Violação de direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais
- Falta de rastreabilidade nas cadeias de commodities de risco (soja, pecuária, madeira)
Desmatamento e conversão de uso do solo
O desmatamento — impulsionado pela expansão não planejada das atividades agropecuárias, pela exploração ilegal de madeira, pelo garimpo irregular e pela especulação imobiliária fundiária (grilagem) — continua sendo a principal ameaça à integridade do bioma. O monitoramento contínuo da cobertura florestal é realizado por órgãos de referência oficial, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio do sistema PRODES (que mede as taxas anuais consolidadas de desmatamento por corte raso) e do sistema DETER (que emite alertas diários para apoiar a fiscalização e a repressão de ilícitos ambientais).
A conversão contínua da floresta nativa para uso do solo reduz a capacidade de estocagem de carbono e aproxima a Amazônia do chamado “ponto de não retorno” (tipping point) — o patamar teórico de perda florestal, estimado pela literatura científica (Lovejoy & Nobre) entre 20% e 25%, a partir do qual a floresta perde a capacidade de se autorregenerar, iniciando um processo irreversível de savanização. Para o setor privado, esse cenário traduz-se em riscos físicos agudos e crônicos, incluindo secas severas que interrompem rotas logísticas fluviais e afetam a produtividade agrícola em escala nacional.
Direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais
A dimensão social do ESG é indissociável da preservação ambiental na Amazônia. Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs) representam as barreiras territoriais mais eficazes contra o avanço do desmatamento ilegal. A invasão dessas áreas para atividades extrativistas ilegais gera conflitos fundiários violentos, degradação de recursos hídricos por poluição de mercúrio e violações sistemáticas dos direitos humanos das populações originárias e ribeirinhas.
Sob a ótica de governança e diligência socioambiental, empresas que adquirem insumos ou operam no entorno de terras comunitárias sem observar o devido processo de consulta prévia, livre e informada às comunidades afetadas — direito previsto pela Convenção 169 da OIT, ratificada pelo Brasil — enfrentam graves passivos jurídicos, autuações e severos danos à reputação corporativa.
Cadeias de commodities de risco (soja, pecuária, madeira)
Um dos maiores gargalos corporativos na gestão do risco amazônico reside na rastreabilidade e na visibilidade das cadeias de fornecimento indiretas. Commodities agrícolas e florestais — em especial a pecuária bovina, a cultura da soja e a extração de madeira — são os principais vetores de pressão sobre o bioma.
Embora grandes processadores e exportadores tenham firmado compromissos de compra responsável para fornecedores diretos, a contaminação da cadeia ocorre frequentemente nos elos indiretos (como fazendas de CRIA e RECRIA na pecuária ou produtores intermediários de grãos). A falta de transparência nesses elos expõe adquirentes e investidores a produtos associados ao desmatamento ilegal, sobreposição de áreas embargadas pelo IBAMA ou pelo Ministério do Meio Ambiente e uso de mão de obra análoga à escravidão.
Por que a Amazônia é um tema central na agenda ESG das empresas brasileiras?
A conservação do bioma amazônico deixou de ser tratada como uma pauta secundária de responsabilidade social corporativa (RSC) e assumiu posição central na estratégia de negócios, governança de riscos e atração de capital. O setor privado tem se mobilizado ativamente em prol da Amazônia e do Cerrado, reconhecendo que a inação ambiental compromete o valor de mercado e o acesso ao capital internacional.
Instituições financeiras globais e locais, fundos de pensão e bancos de desenvolvimento incorporaram critérios estritos de triagem socioambiental baseados em dados de desmatamento e embargos ambientais. A concessão de crédito rural e corporativo está cada vez mais condicionada à comprovação de conformidade legal e à ausência de irregularidades em órgãos como IBAMA e secretarias estaduais de meio ambiente.
Além disso, mecanismos regulatórios transfronteiriços como o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) vão ampliar essa pressão: a partir de 30 de dezembro de 2026, grandes e médias empresas passam a ter de comprovar geolocalização e due diligence de origem para exportar ao mercado europeu:
- café
- soja
- carne bovina
- madeira
- cacau
- borracha
e seus derivados (micro e pequenos operadores têm prazo até 30 de junho de 2027, conforme o cronograma revisado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE). Empresas brasileiras que não estruturarem desde já a rastreabilidade de origem de seus produtos correm o risco de exclusão desse mercado assim que o regulamento entrar em vigor.
Como o desmatamento e o uso da terra na Amazônia afetam o risco de negócio e a cadeia de fornecimento?
Os riscos corporativos decorrentes da má gestão ou da exposição indireta aos problemas ambientais na Amazônia podem ser categorizados em três grandes frentes:

O que normas como GRI e IFRS S2 exigem sobre biodiversidade e uso da terra?
A padronização das divulgações corporativas de sustentabilidade avançou significativamente, elevando o nível de detalhamento exigido sobre a relação entre o modelo de negócios e o capital natural — e parte dessa padronização mudou recentemente.
GRI: do GRI 304 ao novo GRI 101 (Biodiversity)
A estrutura da GRI, amplamente adotada no Brasil para a elaboração de relatórios ESG, atualizou seu padrão de biodiversidade: desde 1º de janeiro de 2026, o GRI 101: Biodiversity substitui o antigo GRI 304: Biodiversity (2016) como referência vigente. O novo padrão amplia, mas mantém em sua essência, a exigência de que as organizações relatem:
- A localização e o tamanho de instalações operacionais próprias, arrendadas ou geridas localizadas dentro de, ou adjacentes a, áreas protegidas e áreas de alto valor de biodiversidade fora de áreas protegidas.
- Impactos significativos, diretos e indiretos, das atividades, produtos e serviços sobre a biodiversidade em ecossistemas sensíveis.
- Estratégias, medidas de conservação e ações de restauração de habitats florestais degradados.
IFRS S2 (Divulgações Relacionadas ao Clima): de obrigatório a voluntário no Brasil
Emitida pelo ISSB (International Sustainability Standards Board), a norma IFRS S2 estabelece padrões rigorosos para a divulgação de riscos e oportunidades relacionados ao clima. No Brasil, sua adoção obrigatória havia sido prevista pela Resolução CVM nº 193, com entrada em vigor esperada para 2026 — mas a Resolução CVM nº 244/26 revisou esse cronograma e tornou a divulgação facultativa, substituindo o dever de “aplicar” o padrão ISSB por um dever de “explicar” a abordagem da companhia. Isso não elimina a relevância prática da norma: investidores institucionais, clientes internacionais sujeitos à CSRD europeia e bancos com linhas de crédito vinculadas a metas ESG continuam monitorando esses indicadores.

No contexto do uso da terra e da Amazônia, a IFRS S2 orienta três frentes:
- Avaliação de Riscos Físicos e de Transição — mapeamento de como a degradação florestal e as mudanças climáticas afetam os ativos da empresa e a viabilidade financeira da cadeia de valor.
- Emissões de Escopo 3 — inclusão das emissões de gases de efeito estufa associadas às mudanças no uso da terra na cadeia de suprimentos a montante (upstream) e a jusante (downstream).
- Planos de Transição Climática — detalhamento de metas de descarbonização, políticas de desmatamento zero e alocação de recursos financeiros para mitigar impactos na biodiversidade e nas comunidades locais.
Como as empresas podem mensurar e reportar seu impacto e dependência da Amazônia
Para estruturar uma abordagem preventiva e auditável no monitoramento do bioma amazônico, as organizações devem migrar de planilhas manuais para processos integrados de governança de dados ESG. O processo de adequação e mitigação de riscos envolve três etapas fundamentais:
- Avaliação e Maturidade do Modelo ESG — iniciar com um diagnóstico ESG abrangente para identificar lacunas no cumprimento da legislação ambiental, avaliar a maturidade das políticas de sustentabilidade da empresa e alinhar os processos operacionais às normas regulatórias locais e internacionais.
- Mapeamento de Impactos e Financeiro — utilizar uma ferramenta de avaliação de dupla materialidade para determinar não apenas como as operações da empresa impactam o meio ambiente e as populações da Amazônia (materialidade de impacto), mas também como a perda de serviços ecossistêmicos e as novas regulações ambientais representam riscos operacionais e financeiros diretos para a organização (materialidade financeira).
- Gestão da Cadeia de Valor e Rastreabilidade — adotar uma plataforma de gestão de dados ESG para fornecedores, capaz de consolidar em um único ambiente informações de conformidade socioambiental de fornecedores diretos e indiretos — como status de embargos ambientais, alertas de desmatamento e sobreposição com Terras Indígenas ou áreas protegidas — reduzindo a dependência de verificações manuais e fortalecendo a trilha de auditoria diante de investidores e clientes internacionais.
Exemplo prático
Uma trading exportadora de soja e carne bovina, com fornecedores diretos e indiretos na fronteira agrícola amazônica, recebe de um cliente europeu a exigência de comprovar due diligence de origem antes da entrada em vigor do EUDR, em dezembro de 2026. Em vez de responder manualmente a cada solicitação, a empresa estrutura, com apoio de uma plataforma ESG, um processo único de avaliação de dupla materialidade e monitoramento de fornecedores — reaproveitando essa base tanto para atender exigências internacionais quanto para documentar sua posição diante da CVM sob o novo modelo de “dever de explicar”.
Com dados precisos, rastreabilidade e governança estruturada, as empresas deixam de tratar o Dia da Amazônia como uma simples data comemorativa e a transformam em uma oportunidade real de fortalecer a resiliência operacional, garantir conformidade e liderar a transição rumo a uma economia de baixo carbono e positiva para a natureza.
Perguntas frequentes
O que é o Dia da Amazônia e por que é comemorado em 5 de setembro?
É a data instituída pela Lei nº 11.621/2007 para conscientizar sobre a conservação da Amazônia, em referência à criação da Província do Amazonas por D. Pedro II em 5 de setembro de 1850.
A divulgação de dados ESG segundo o ISSB (IFRS S1 e S2) ainda é obrigatória no Brasil?
Não. A Resolução CVM nº 244/26 tornou facultativa a adoção do padrão ISSB, que havia sido prevista como obrigatória pela Resolução CVM nº 193. Companhias agora têm um dever de explicar sua abordagem, mas investidores e clientes internacionais continuam pressionando por divulgação consistente.
Como a PRESGO ajuda empresas a gerenciar riscos ESG relacionados à Amazônia? A PRESGO estrutura a jornada de avaliação de dupla materialidade, organiza indicadores alinhados a GRI e ISSB e centraliza a governança de dados ESG de fornecedores, reduzindo o retrabalho manual e fortalecendo a trilha de auditoria exigida por investidores e clientes internacionais.
Avalie como a PRESGO ajuda sua empresa a monitorar riscos socioambientais na cadeia de fornecimento amazônica, estruturar a avaliação de dupla materialidade e se preparar para exigências como o EUDR e o padrão ISSB: